
O sono dos justos Setembro 24, 2009

Um carro a menos Setembro 22, 2009

Olha eu aí!!! Só que a flor vai no coração, na cabeça só capacete)
Hotel 1.000.000.000.000.000 estrelas! Junho 22, 2009
Saimos de casa às 08h da manhã, céu encoberto, friozinho, rumo à fronteira de São Paulo com o sul de Minas Gerais. O plano era ficarmos hospedados num hotel diferente, com um luxo peculiar que nenhum outro oferece.
Chegamos na encantadora e quieta São Bento do Sapucaí, de volta a São Paulo, depois de atravessarmos algumas estradinhas em território mineiro. São Bento é limpa, calada, bonita, organizada e pacata. Um sonho de cidade!
No caminho até nosso grande hotel vimos algumas pousadas chumbregas, que oferecem o trivial: café da manhã, TV a cabo, calefação, lareira, bla bla bla. Tudo isso é pouco, nosso amor merece algo mais requintado do que uma hospedagem ordinária.
Passamos por todas elas, iguais, nada originais. Continuamos a seguir na estrada que nos levaria ao tal hotel mil estrelas que o Artur me prometeu.
Ao chegar no hall de entrada, senti a diferença! Fomos recebidos por uma treinadíssima equipe de árvores nativas, flores silvestres e um ar puro raro de se respirar.
Todo o trajeto até o quarto feito em brejo maciço, nascentes por todo lado, buracos e erosões perfeitamente lapidados pelas chuvas, com um cuidado divinal.
A riqueza dos detalhes me impressionou muito! Eu que sou chata com o calor, bastava uma simples paradinha e olhar para o horizonte que automaticamente sentia uma brisa fresca na temperatura certa para apaziguar meu calor, no caminho até nossa suite.
E as obras de arte? De um lado, víamos a Ana Chata. À frente, víamos a eminente Pedra do Baú. Todas obras-prima do grande mestre realista… vocês sabem quem é, não? Ele fez grandes obras renomadas, como o Corcovado, no Rio de Janeiro, os canions do Itaimbezinho, no Rio Grande do Sul, a Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, enfim, várias telas espalhadas pelo mundo afora. Louvo os hotéis que dão valor à arte!!
Quando chegamos na suite presidencial, ficamos emocionados com o carinho com que tudo foi arrumado. Colocaram nossa cama de um jeito que o pôr-do-sol ficou na vista da direita, e o nascer do sol à nossa esquerda. Assistimos a todo o festival de cores que ambos espetáculos nos proporcionaram! Ficamos bobos com tamanha competência em receber hóspedes tão exigentes…
Mas o grande diferencial deste hotel, com toda certeza, é na hora de dormir. Um céu forrado de estrelas, tantas, que é possível identificar as constelações todas. Estrelas cadentes a todo instante.. uma cena inesquecível!
Enfim, sem pagar absolutamente NADA, nos hospedamos este final de semana no melhor hote do mundo, com mais de 1.000.000.000.000.000 estrelas: o topo da Pedra do Baú.
Cordel? Junho 4, 2009
engraçado, essa coisa de cerrado, aquele céu todo azulado, me faz lembrar de um certo encontro do acaso.
estava eu sentada, e vc lá sentado, no seu canto, lá do outro lado.
nao sei que falou primeiro, quem puxou o papo,
só sei que quando vimos tava tudo começado.
vc um menino esperto, e eu uma garota levada
que viajava sozinha por aí, sem destino planejado.
de tanto nao planejar, acabei encontrando meu namorado.
ah, mas isso só fui saber mais tarde, depois de anos passados!
ele voltou na minha vida, me pegou nos braços e meu lascou um beijo retado.
aí… nao teve jeito, fiquei de quatro!
E hoje, eu por ele, e ele por mim, somos dois apaixonados…
enamorados, bobos ao olharmos para o céu estrelado.
A estrela cadente que cai, cruzando o céu nublado
foi a primeira que ele viu, naquele dia encantado.
nós dois, mesmo longe do cerrado, descbrimos que nosso amor, por ter sido tao lapidado,
brota em qualquer chao, dá em qualquer cerca, mina em qualquer canto,
é feliz em qualquer arado!
É tempo de amora Maio 12, 2009
O(a) Filho(a) Pródigo(a) Maio 10, 2009
Voltei hoje. Estou só. Voltei um pouco cedo.
Pus-me a cruzar o mundo em todos os sentidos…
Já lutei, mas não pude; a vida me fez medo,
Eu vim sem te trazer os louros prometidos.
Venho à busca, bem vês, e um amor que me aqueça.
Não me faças contar o caminho que eu trilho…
Põe assim tua mão sobre minha cabeça;
Se eu te disse: “mamãe”- responde só: “meu filho.”
Não me fales também d’esse mundo gelado,
Do tempo que fugiu, perdido hora por hora…
Deixa que eu fique assim, bem teu filho, ao teu lado,
Porque andei sem parar e cansei-me lá fora.
(esqueci quem escreveu… mas nao fui eu).
Feliz Dia Das Mães para a incrivel Dona Vera!
Lua nova, lua minguante Março 31, 2009
Este ano fui doce e surpreendentemente presenteada com uma nova amizade. A chegada de um amigo novo, pelo menos no meu caso, sempre me deixa bastante excitada, pois sao poucos aqueles que chamo AMIGO nessa vida. A sensacao que eu tenho quando estou com a Patricia, com o Carlos, com o outro Carlos, com a Sissi, com o Ricardo, com a Rosi, com a Mirela, eh que nunca-jamais eu vou encontrar no mundo todo pessoas tao especiais.
Ainda bem que esta eh uma ideia bastante tola e eis que ha alguns meses atras surgiu a Marcela.
Mesmo que o mais adequado adjetivo para descreve-la seja “fofa”, ela estah numa fase que nao gostaria de ler esse tipo de “elogio”, pois decidiu travar uma guerra contra os seus quilinhos a mais.
Mas fofa, no caso, define o carater do bem dessa menina engajada e focada e determinada a cumprir sua missao: fazer quem quer que esteja ao seu lado feliz.
Parece que Deus realmente conferiu a minha amiga esse dom, pois nao ha um so dia que ela nao sorri e, com isso, consegue outro riso de volta imediatamente.
Sim, ela eh feliz! Seu sorriso nao eh oco, eh absolutamente preenchido de amor, sinceridade, franqueza e, claro, muita alegria e simpatia.
Chegou em nossas vidas la no escritorio em ritmo de revolucao, como se houvesse um escritorio ANTES de Marcela e outro DEPOIS. Um divisor de aguas!
Sorte minha que ela tenha preferido se aconchegar mais intimamente no nosso seletissimo grupo do almoco, esticando uma simples coleguice de trabalhar a uma amizade para toda vida.
Antes que voces pensem que Marcela eh uma “porpeta”, feia de 120kg, esclareco: ela eh linda e estah apenas encucada por ter aumentado um “tiquinho” a silhueta depois do casamento com o marido-bonito. E como nao se brinca com esse tipo de neura, o titulo desta cronica nos remete a duas ideias:
LUA NOVA: poque nos surpreende no ceu de dia, linda e redondinha, inevitavelmente nos furtando um sorriso, por pior que as coisas estejam.
LUA MINGUANTE: porque redondinha ela nao eh mais, estah minguando de tamanho a cada dia.
Poderia talvez incluir a LUA CRESCENTE, pois meu amor por ela cresce… cresce… cresce…
** Este texto foi escrito ha alguns meses atras, mais esperei um momento especial para posta-lo.
Hoje, dia 31 de marco, sera meu ultimo no escritorio em que trabalhei por 7 anos.
Marcela eh uma das amigas que fiz la.
Sei que ela vai chorar demais hoje e sera um dia dificil.
Por cada lagrima que ela derramar, quero o triplo de anos ao lado dela.

O menino que cala Março 5, 2009
Tal qual os cegos desenvolvem extraordinariamente o sentido da audição, assim aqueles que calam, não por mudez, mas por esquisitice própria da pessoa, desenvolve quase que involuntariamente o dom de olhar.
Assim é o menino que cala. Até fala, fala sem parar coisas sem importância, um dia quente, uma viagem bonita, uma pessoa chata, um desabafo morno, uma comida gostosa, uma festa ruim, uma foto interessante…. mas sempre cala quando lhe fala o coração.
Pois esse fala, o coração vive a sussurar caminhos a escolher, decisões a tomar, palpita o tempo inteiro em nosso ouvido do peito que ouve brilhantemente bem todos os anseios do coração. Sussura durante à noite, no silêncio, fala de manhã, conversa com a gente, grita quando estamos distraídos.
O menino que cala, distraído, será que não ouve o coração em seus berros estridentes? Com certeza absoluta ouve. Pois o menino olha… com olhos desvendadores, desbravadores, expedicionários!
Os olhos do menino, acuradíssimos, não só olham, extrapolam. Falam.
Institui-se, entretanto, dar importância somente à voz que vem dos lábios, que emanan das cordas vocais. No máximo aos gestos, aos grunhidos forçosos que querem dizer algo.
Mas se a pessoa cala e fala só som os olhos, olhos não exprimem vontade… não são atendidos, sequem entendidos.
E se alguém ouve com os olhos, haveria, pois, uma comunicação ocular entre pessoas que falam e ouvem com os olhos… olhos que tudo compreendem, que acalentam, que cuidam, que esperam? Assim haveria o pleno entendimento desses serem incomuns.
Estaria perfeito, se somente os olhos falassem e o outros olhos escutassem. Mas se há barulho, se a boca fala e os ouvidos escutam, anula-se toda a tal comunicação ocular… fica o dito pelo dito.
Afinal, os olhos, por ter função de olhar e não de dizer, não exprimem vontade… muito embora possam, descaradamente, exprimir toda a verdade.
Aniversário (29 não é 30!) Março 4, 2009
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…
** Ao contrário de álvaro de camposl hoje estou bem feliz, me sentindo jovem como nunca antes na história desse país. Assim, o poema triste acima é mais pela beleza, um presente de beleza.
Afinal, como dizia Vinícius, é preciso um bocado de tristeza para fazer um samba bom…
À parte de tudo isso, hoje eu estou bem feliz!!!
Machado explica Fevereiro 26, 2009
Não vou perder meu tempo explicando o inexplicável, justificando o injustificável. Socorro-me, para isso, do meu herói Machado de Assis.
Assim, explico:
“O coração humano é a região do inexplicável.”
“A lei do coração é anterior e superior às outras leis.”
“O menino é o pai do homem.”
e justifico:
“Nada se deve imputar aos dementes e aos namorados.”
“Há na vida simetrias inesperadas.”
“A felicidade explica ou desculpa tudo.”
e concluo:
“A vida é uma ópera.”