Aaaagriiii….

Em 5 minutos de convivência, qualquer pessoa que cruzasse a vida dele já estava por aí chamando: Aaaagriii…. e nos ajudava a retirá-lo de alguma situação de risco que ele se colocava o tempo todo por conta da cegueira total.

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Agri era tão grudado comigo que até no alongamento ele ficava deitado junto

Este cachorrinho maravilhoso, um mestiço de poodle, meio branco, meio cinza, de olhos brancos pela cegueira, fofo demais, chegou a minha vida há cerca de 2 anos. Chegou no momento em que eu montava minha primeira casa para morar junto com o meu companheiro Daniel e, por isso, nos ajudou a montar nossa familia e deixar nossa cantinho com cheiro e jeito de LAR!

O Rei da Casa

O Rei da Casa

Todos que tinham contato com ele se apaixonava rapidamente, pois, apesar dele ser um pouco anti-social com outros animais, ele era simplesmente incrível com seres humanos! E mesmo que todos soubessem o segundo nome de batismo dele, AGRIPINO, a intimidade nascia em instantes e ele virava AGRI para todos! Aaaagri… volta! Aaaagri…aí não! O cachorro cego mais amado do mundo!

O Agripino era da Lud e se chamava Bonifácio; depois foi da Laura, depois do Custa, depois da irmã do Custa, depois virou Agripino e foi morar com o casal amigo Leila e Leandro Valverdes e, por fim, terminou sua jornada em nossa casa. Nós o adotamos quando ele já tinha 16,5 anos… não poderíamos esperar viver tanto tempo mais com ele. Apesar da expectativa que nos dava muitas esperanças de que a mamãe dele tinha vivido 22 anos e, por isso, todos nossos planos incluíam o Agri.

Pronto pra viajar sempre!

Pronto pra viajar sempre!

Nós faríamos um cercado lindo no gramado em nossa casa nova em Gonçalves para que ele pudesse explorar tudo sem problemas, perigos ou riscos. Ficaria livre para cheirar tudo, sentir o úmido da grama em suas patinhas magrinhas, esbarrar nos arbustos, escalar barrancos. Até latir para um rebanho de gado ele latia… essa foi sua última grande aventura: pensem um chachorro de 5,5kg latindo bravamente para 10 bois?? Era o Agri!

Em novembro fizemos um checkup nele e descobrimos que ele tinha um sopro no coração por conta da idade. Como ele estava bem, nem o medicamos. Mas nos últimos dias esse sopro no coração piorou e ele estava insuficiente. Apesar dos medicamentos e todo nosso amor, ele não resistiu e morreu nesta madrugada.

Agri amava viajar e embarcou para a sua última viagem

Agri amava viajar e embarcou para a sua última viagem

Apesar de nossa ilusão de que o Agri viveria para sempre, sabíamos que a qualquer momento ele poderia nos deixar. Por isso, depois que voltamos do Chile, em janeiro, não ficamos sequer um dia longe dele. Ele nos acompanhava em todas as viagens e se divertiu muito no banco de trás do carro tirando um chochilo, funhanhando na janela ou colocando a carinha no meio de nós avisando que queria parar.

Até nas provas de bike que organizamos ele estava junto, o que era muito cansativo, mas sabiamos que ali naquela confusão era o lugar onde ele mais gostaria de estar: ao nosso lado não importa como nem onde!

Nossa família!

Nossa família!

Foi nosso filho amado, estava sempre colado na gente….mais com a mamãe do que com o papai, mas era óbvio que o amor que ele sentia pelo Dani era tão grande como o que sentia por mim. Talvez por meu colo ser mais fofinho, ele ficava mais relaxado comigo. Nada era mais delicioso do que dormir de cucharita com ele…

Agri com seus irmãozinhos Lorenzo e Luiza

Agri com seus irmãozinhos Lorenzo e Luiza

Hoje de madrugada fui atropelada pela tristeza de ver o Agripino deitadinho, imóvel, depois de uma terrível crise de coração fraco e falta de ar. Mantive-o no na cama, colado em mim e no Dani, fazendo cafuné e repetindo: mamãe está aqui… mamãe está aqui…

Fiz mamãe-canguru com ele, segurei carinhosamente contra meu peito, mas nada fazia passar. Era mesmo a hora dele e tínhamos que respeitar isso. Nosso filhinho se foi, cercado de amor, do jeito que sempre sonhei em fazer… fazê-lo sentir nosso amor no último suspiro.

Nossoo ninho de amor está mais vazio... :-(

Nossoo ninho de amor está mais vazio… 😦

Por isso, apesar de estarmos destroçados, pois o Agri foi um grande herói e nos ajudou muito a manter a serenidade, harmonia, paz, tranquilidade em nosso lar desde o início de nossa vida juntos, sabemos que cumprimos nossa missão junto a ele e somos muito, muito, muito gratos por ter tido a oportunidade de compartilhar o mesmo teto que este ser iluminado. Nunca vi um coraçãozinho fraco com tanta capacidade de amar….

Agri com papai <3

Agri com papai ❤

Agri com a mamãe <3

Agri com a mamãe ❤

Aaaagrii…. Até breve, meu amor!

Papai e Agri no céu, ja já! <3

Papai e Agri no céu, ja já! ❤

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A dica de ouro de Minas

Meu último post narra um trágico fato que marcou o início desta minha viagem. Apesar de estar inconsolável, meio boba, triste demais, vagando desorientada de um lado para outro nas ruas, busquei tentar não prejudicar este roteiro que há muito tempo tinha o sonho de fazer: cidades históricas de Minas Gerais.

Escolhi a companhia de meus pais, pois, além de estar com saudades de viajar só com eles, sei que eles amam esse estilo de viagem que envolve bater perna, conhecer cidades a pé, devagar, de cabo a rabo e estarem sempre dispostos e sorridentes a encarar os roteiros  malucos que eu desenho.

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O que marcou essa minha viagem foi a não vontade de fazer nada e, mesmo assim, ter feito tudo e ter sido presenteada por todas essas experiências com sensações e sentimentos que guardarei para sempre em minhas recordações.

De forma geral, todo o conjunto arquitetônico colonial das cidades que escolhi para conhecer, são elas, Tiradentes, São João Del Rey, Congonhas, Ouro Preto e Mariana, já compõe uma imagem gostosdimais de lembrar. Dá um aconchego, como se fosse possível sentir o cheirinho das ruas, das janelas, das lojinhas de artesanato, dos restaurantes…

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Especificamente, tive algumas experiências que gostaria de compartilhar e recomendar que se permitam fazer, pois valem à pena!

Na Matriz de Santo Antônio, em Tiradentes, fui a um concerto de órgão (um instrumento maravilhoso do século VXIII cuja caixa foi talhada por Aleijadinho comandado pela organista Elisa Freixo) que, apesar do repertório erudito, entrou em minha alma como uma oração ecumenica ou, até mesmo, pagã. Digo isso pois meu amigo Davi, que nos deixou no início da minha viagem, era ateu e desde que recebi a notícia quis fazer uma oração por ele. Mas, como ele era ateu, não achei que teria efeito. Então, foi nessa ocasião, resultado da união de tantos elementos especiais, que aproveitei para elevar meus pensamentos a memória do meu amigo e, espiritualmente, enviar a ele uma mensagem de que ficaremos bem, apesar do vazio gigante, mas que ele não se preocupe! Vamos ficar bem!

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Para ajudar também a curar a tristeza (apesar de o Davi ter sido um vegano radical…hehehe…piada interna!), abandonei por uns dias meus ideais veganos e caí de boca num dosdileite maravilhoso, que há 50 anos é produzido em Tiradentes pelo Seu Chico. Não teve como resistir aos canudinhos fresquinhos e crocantes recheados de dosdileite… comi. Pequei. Comi. Comi de novo. E mais uma vez. Todo dia eu passava pela vendinha do Chico Doceiro e devorava um par de canudinhos. Caramba… que delícia!

Voltando ao veganismo, apesar de toda culinária mineira ser cultivada em volta de um porco morto, não achei tão difícil me virar nos restaurantes. Com a tradicional boa vontade e simpatia dos mineiros, me arranjei bem com a mais simples das refeições, ou seja, arroz + feijão de caroço (limpo, sem bacon) + couve + aipim. Comi de olhos fechados, como meu avô fazia, saboreando as panelas de ferro e do fogão à lenha.

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Aleijadinho é um ícone da arte barroca e rococó no Brasil colonial e estar diante de suas obras arrepia mesmo, não tem jeito. Ele é digno de todas as homenagens pela perfeição e “tiradas” que fez em algumas de suas obras, algumas acompanhada de seu amigo Mestre Ataíde. Por isso, estar em Congonhas diante dos 12 profetas, esculpidos em pedra sabã0, e ver toda a via sacra esculpida em madeira foi uma experiência de encher os olhos, alma e coração. Que orgulho de ver um brasileiro mestiço deixando o mundo de boca aberta!

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A estrada de Congonhas até Ouro Preto é linda! Estamos nos limites da Estrada Real e eu não vejo a hora de chegar abril/2015 para eu fazer toda essa estrada pedalando com o meu amor Daniel!

Ouro Preto está a 1000m e pouco do nível do mar e está cravada numa serra. Diferente de Bananal, por exemplo, que está em um vale, aqui é uma serra. Ou você sobe, ou você desce. São ladeiras super íngremes, com o calçamento chamado de pé-de-moleque (ou pede moleque, como contam as estórias). Estar aqui já é sensacional!

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O mais legal aqui de Ouro Preto são as igrejas, verdadeiras obras de arte. São 13 igrejas e escolhemos conhecer profundamente 03 delas, em vez de todas superficialmente. Foi a melhor escolha que poderíamos ter feito. Não tem preço sentar naqueles bancos, ouvir os guias falando sobre todos os milhares de detalhes de todas as milhares de obras… não nos cansamos de ouvir. É o melhor de Ouro Preto, sem dúvida!

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Na Igreja de São Francisco de Assis, em estilo rococó, o teto pintado pelo Mestre Ataíde, ao estilo do teto da capela sistina, é a jóia que se detaca. E lá no altar principal Aleijadinho desenha os santos franciscanos com os traços dos inconfidentes… E no teto, Mestre Ataíde desenha um anjo pardo, com os traços de Aleijadinho… e ate tem uma pintura da Santa Ceia com porco no menu… é uma Santa Ceia mineira! Fanfarrões!!

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Também fomos visitar a Igreja Santa Efigênia, construída pelos escravos do Chico Rei, uma igreja que os negros podiam frequentar. No altar principal, referências iconográficas do Candomblé e africanas. Imagens de São Benedito e Santa Efigênia, ambos negros para interceder pelos negros.

A Matriz de Nossa Senhora do Pilar é o símbolo máximo do barroco em Ouro Preto. Forrada de ouro, é a segunda igreja que mais tem ouro no Brasil (só perde para uma igreja de Salvador). Simples por fora e maravilhosa por dentro!

O período colonial me encanta pela beleza, o barroco é suntuoso e convida. Mas me entristece saber das mazelas da época.

Em Mariana conhecemos o conjunto arquitetônico colonial considerado o mais belo entre os belos, queridinho até do povo da Louvre. Duas igrejas construídas uma ao lado da outra e a Casa de Câmara. Ao centro, o Pelourinho, onde escravos recebiam chibatadas em público para servir de exemplo. Uma tristeza sem tamanho saber a quanto suor, sangue e morte foram erguidas essas obras tão exuberantes. Por isso, sempre paira um misto de sentimentos em lugares assim.

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Viajamos de trem, porque é lúdico, leve e temos uma vista vagarosa e panorâmica das paisagens. Fomos até São João del Rey, saindo de Tiradentes, e lá conhecemos o centro histórico e ouvimos causos. Também fomos de Ouro Preto até Mariana e a todo tempo avistamos o Pico do Itacolomi, formação rochosa com 1772m. Sou apaixonada por formações rochosas que tem poderes hipnóticos para mim. Sigo com o olhar o tempo todo, querendo sempre estar lá em cima…

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Também adoro doces da infância e este pirulito que vendia no trem era da infância dos meus pais… não deu pra resistir!!

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Vale uma menção honrosa à banda musical que nos recebeu lá em Mariana, nos abraçando neste clima perfeito de cidade do interior: paz, tranquilidade, atividades culturais tradicionais, sensação de deixar o tempo solto… mesmo com o tempo “apertado” para conhecer as igrejas em Ouro Preto que fecham às 17h e não abrem para visitação às segundas-feiras, deixamos o relógio de lado e sentamos na praça para ouvir a banda. Inesquecivel!

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Os mineiros que passaram por nossa viagem foram todos simpáticos, eloquentes, inteligentes, esforçados, simples e bonitos. Os guias, o taxista, a moça da cafeteria, a arrumadeira do hotel, a organista, o garçom, os artistas de rua, o motorista do ônibus, o cobrador, o agente da estação ferroviária… enfim, povo delicioso!!

Assim, a dica de ouro para qualquer um que venha visitar Minas é disponibilizar tempo e disposição para que as atrações se descortinem, se revelem para você. Não deixe passar batido a oportunidade de conversar com os locais, eles tem muito a ensinar. Humildemente, curve-se à sabedoria daqueles que respiram e vivem o lugar.

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Davi <3

Quando eu conheci o Davi ele tinha acabado de passar por uma experiência de quase-morte, ao ter enfrentado uma barra lá no alto dos andes bolivianos, e me encantei, até, com o jeito que ele descreveu, friamente, o momento em que ele pensou: vou morrer!

Sua companheira Cintia também dizia que sabia que o marido exercia uma atividade de risco, mas ao ouvir o relato do amado sobre essa experiência, ao mesmo tempo em que ela mantinha um semblante tranquilo, era possível sentir que seus olhos estavam tão felizes por ele ter sobrevivido e poder nos contar mais essa história dos riscos junto à natureza, tomando um bom vinho.

Ontem recebi a noticia de que o Davi não sobreviveu a uma experiência terrível pela qual passou e foi vítima da própria natureza. Ao escalar uma via nas rochas de Andradas sofreu um ataque de abelhas e não resistiu.

Recebi essa notícia do meu amigo Fred e fiquei em choque, assim como ele. Minha primeira reação foi ligar para meu amigo Carlos e pedir pra ele apurar essa informação e que me retornasse dizendo que não era verdade. Tive também o impulso de avisar alguns amigos…mas não queria acreditar que era verdade. Esperei acordar em um novo dia e me certificar de que eu não vivia aquele pesadelo.

Daqui de minha férias, em Tiradentes, não pude abandonar meus pais aqui e pegar o primeiro ônibus para afagar os cachos da minha amiga Cintia… sinto-me em stand-by, em um estado de levitação que só vai terminar quando eu abraça-la e transmitir a ela todo essse imenso amor que tenho pelos dois.

Passei o dia todo pensando nos dois, que em minha cabeça sempre foram uma peça única, tamanha era a sintonia, a harmonia, a amizade, o companheirismo deste casal.

O Davi era um cara extraordinário e tinha uma fama antiga de ser “ranzina”. Mas ele me amava tanto quanto eu o amava. Virava e mexia e ele olhava pra minha cara e soltava um “gosto muito de vocë, viu?”.  Sabe essas declarações de amor com peso dois? Pois bem. A Cintia confirmava dizendo que não era com todo mundo que ele era assim… aliás, sua secura, rispidez e objetividade era uma característica dele.

Mas foi dessa forma ríspida, seca e objetiva que ele levou sua vida com suavidade. Fez bons e verdadeiros amigos, criou com a Cintia uma filha maravilhosa, a Bruninha, sempre ansiou pelo conhecimento mais profundo sobre tudo aquilo que o encantava: a medicina, o vegetarianismo, a proteção animal, vinhos, bicicletas e montanhas!

Quando eu digitei DAVI aqui nesse blog vieram alguns resultados. Um texto que fiz sobre a Estrela, sua cachorinha anciã que morreu; outro que fiz sobre pessoas extraordinárias e mais um outro que falei sobre a saudade e como ele a Cintia viviam se reencontrando na relação de tanto anos.

Que fisgo que deu agora no meu coração…

E ao digitar DAVI em meu computador para localizar uma foto linda nossa juntos, achei esta aqui embaixo, quando ele me acompanhou em um desafio do Audax em Holambra. Ele pedalou 135km comigo, super companheiro, trocando meus pneus furados, me dando apoio e energia.

Davizinho, meu bem, um bom caminho pra você! Minha ficha jamais vai cair… você sempre estará vivo, feliz e saltitante com uma taça de vinho na mão em minhas mais ternas lembranças!

Com todo amor!

audax com davi

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Ser um Randonneur

Há uns dois anos atrás me enfiei no universo dos ciclistas randonneurs. São ciclistas que percorrem longas distâncias…200, 300, 400, 600, 1000 e até 1200km!! Fiquei intrigada quando aprendi no curso de francês que o termo randonneur significa caminhada e não pedalada. Mas depois entendi o porquê deste termo ser utilizado nessas provas de ciclismo que hoje em dia tenho a alegria de organizar e ajudar a organizar.

O primeiro randonneur que eu conheci foi um homem muito educado e simpático chamado Silas Batista, que pedalou os 1200km da prova randonneur mais famosa de todas: O Paris-Brest-Paris. As provas que organizamos aqui no Brasil de 200-300-400-600km são classificatórias para a prova que chamamos de BPB, que acontece a cada três anos. 2015 é ano de PBP e todos os outros muitos randonneus que venho conhecendo nesses últimos estão animados para participarem do evento internacional. Além de pedalar essas provas, o Silas também vai visitar a filha dele em Vitória-ES, saindo de São Paulo, de bicicleta.

Depois do Silas, conheci o Rafael Dias, que hoje é um super amigo, que respeito muito pela gracinha de pessoa que é. Tive dó quando conheci o Rafael em uma prova em Holambra, pois ele tinha saído de São Paulo e ido até Holambra pedalando, pedalou a prova toda, estava dentro de um saco de lixo preto para protegê-lo do vento e da chuva e não tinha carona para voltar para São Paulo. Com meu carro cheio, fui até ele para perguntar se ele não queria que eu o ajudasse a conseguir uma carona mas ele respondeu que estava tudo bem, ele voltaria pedalando. Hoje o Rafael tem seu próprio clube Randonneur e eu o ajudo na organização.

Com o tempo fui me tornando amiga dos organizadores do Clube Audax Randonneurs São Paulo, o clube aqui da capital que organiza essas provas já há muitos anos. Tanto enchi o saco do Rogerio Polo, um super randonneur com grandes conquistas no passado e hoje anda meio paradão por problemas no joelho, e hoje sou uma voluntária e tenho grande alegria em colaborar e fazer parte da conquista dos ciclistas que vencem distâncias à primeira vista surreais em cima de uma bicicleta.

Obviamente é impossível eu falar um pouco de cada um dos randonneurs que já conheci e que venho acompanhando. Mas me emociono mais a falar daqueles que me trazem à lembrança o verdadeiro significado em francês da palavra randonneur… o da caminhada. Caminhada da vida.

O elemento que torna as provas randonneur tão mais especiais que as outras, na minha opinião, é a não competitividade entre os participantes. Todos que chegarem dentro do tempo estabelecido ganha. Ganha para si, não na frente do outro. É um desafio pessoal, solitário. Por isso, a emoção do primeiro a chegar é igual a do último, nos minutos finais…

E as historias, claro, também gosto muito. São as melhores!

Eles caem, se quebram, e depois de poucos meses estão de volta, pedalando. Trilhando esse caminho rumo ao objetivo dos 600k!

Passam por dificuldades que só eles sabem e que vêm à tona quando chegam em prantos, chorando muito mais do que aquele evento isolado mereceria, mas que está inserido em um cenário desconhecido e que se expressa ao receber a medalha de uma simples prova de ciclismo.

Pedalam por seus amigos que estão doentes, pelos amigos que já se foram. Pedalam pelos filhos que acabaram de nascer, por seus amores, juntos com seus amores, com os amores aguardando na torcida na chegada. Pedalam também para se curar de tristezas.

Eu também pedalo por tantos motivos que vão além do hobby e que só me surgem quando estou lá, exausta, tentando cumprir os últimos quilômetros dentro do tempo. Sou uma randonneur junior, pois somente fiz a distância de 200k. Não sei se tenho fôlego para encarar toda a série até os 600k… quem sabe?

Gostaria de deixar registrado aqui neste meu diário de crônicas que no próximo sábado tantos amigos queridos estarão em busca de finalizar a série Super Randonneur 600k do Clube Audax Randonneurs São Paulo e desejar sorte a todos!

Aqui abaixo uma foto para ilustrar o post:

Elaine Toledo, Daniel Labadia (meu gato!) e Fausto após o brevet 400k de Holambra, todas em 2014.

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Flavio e seus Contos Suaves

Um amigo me convidou para escrever o texto de apresentação de sua obra, um livro de contos, chamado Contos Suaves. Apesar da aparente frieza com que dou essa notícia, eu aceitei o convite como se aceita o filho do outro para amadrinhar… feliz, maaaaas, com o peso da responsabilidade.

Li a obra e sou fã do jeitinho que ele escreve. Além disso, conheço o Flavio há 20 anos (sim, desde quando eu era pré-adolescente) e pude acompanhar algumas dificílimas etapas de sua vida de perto, outras vezes de longe, mas sempre em uma torcida íntima de que as coisas dessem sempre certo pra ele.

O Flavio, que eu conheci como Chico lá nos idos dos anos 90, chegou a minha vida como amigo do meu irmão, que eu imediatamente roubei pra mim. Sim, ele tinha muito mais afinidade comigo, pois eu lia romances e escrevia poesias, do que com o pragmático e matemático e exato do meu irmão. Por ele ser barbudo, encardido, libertário, anarquista e, além de tudo, ser doce e escrever poesias como eu (além de saber recitá-las, o que eu nunca soube fazer e acho o máximo), me apaixonei por ele com todo meu coração.

Ele não quis me namorar e acabamos nos tornando amigos. Mais do que isso, iniciamos uma troca de correspondências que durou anos, cartas e cartas e cartas e cartas escritas a mão (não tinha internet!), longuíssimas e que falavam sobre tudo, sobre poesia, romances, dica de livros, lições de casa (ele indicando leitura para mim, pois ele era mais velho), amizade e amor.

Então, aos poucos, nos afastamos um do outro. Talvez porque eu tenha entrado na faculdade e feito novos amigos… ou porque meu namorado à época não encarava com bons olhos essa “ardente” troca de correspondências que não cessava… ou porque ele tenha se casado também… hoje é difícil identificar quando e porque rompemos a comunicação por meio das cartas.

Depois de um tempo, quando eu conversava com ele pela internet, sentia que ele havia perdido um pouco aquele papo apaixonante sobre literatura e só falava de Deus Deus Deus Deus. Sim, parece que ele abraçou uma religião e em todo diálogo nosso ele queria sempre “pregar” e isso me cansava.

Eu acompanhei de longe sua vida, ele se formou em Letras, é professor, casou-se com a Priscila, uma garota incrível, tiveram três filhos lindos (Sofia, Pedro e Daniel) e, agora, vai editar um livro… e me convida para o batismo.

Voltando ao início do texto, confesso que aceitei como se aceita um “trabalho”, um contrato a fazer. Mas quando eu comecei a escrever, um filme se passou em minha cabeça desde o dia em que eu o conheci e, depois de tantos anos, ele me concedeu essa honra sem tamanho.

Honrada, porém, cheia de medos pelo tamanho da responsabilidade, optei em fazer daquele jeito de sempre: deixei meu coração escrever (depois arrumei pontos e vírgulas e mecanismos de coesão e afins).  E o texto ficou incrível, porque ele é incrível, o livro dele é incrível, nossa história teve um peso assertivo muito importante em nossas vidas e, mesmo depois de tantos anos, fluiu como fluia as cartas manuscritas de anos atrás.

Este post é uma singela homenagem ao Flavio Notaroberto, este professor vencedor da vida, que edita seu primeiro livro, Contos Suaves, com a apresentação de Renata, sua amiga, que copio abaixo. E à amizade, sempre provando que tempo e distância são duas coisas… simplesmente coisas que em nada interfere quando o sentimento é de verdade.

 

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Apresentação

É fácil enxergar suavidade em um tecido macio, no desmanchar das nuvens, no sabor adocicado de uma sobremesa de frutas ou no toque do pé em uma areia macia. Está ao alcance de qualquer um perceber a suavidade nessas coisas. O desafio, entretanto, está na percepção do que vai além das aparências, dos sentidos e do óbvio. Os que conseguem conquistá-la não se tornam melhores ou piores do que ninguém, mas se tornam diferentes.

Quando eu conheci o Flavio há quase 20 anos, ele me encantou por enxergar além da casca de todas as coisas. Sua aparência grosseira, encardida, seu perfil militante e revolucionário típico de homens brutos nunca disfarçaram, pelo menos para mim, a suavidade da sua alma.

Naquela época, tive o prazer e a satisfação, quando eu era apenas uma adolescente arredia, de trocar correspondências sobre literatura e filosofia com o autor desses lindos Contos que vocês estão a prestes a degustar e, ao longo dos anos, pude perceber a lapidação de um escritor impecável e absolutamente sensível a sua realidade como morador da periferia de São Paulo.

Está presente em seus Contos o realismo puro e irretocável, próprio de alguém que viveu na pele todas as dificuldades de se morar no extremo da zona leste de São Paulo e conseguiu extrair a suavidade e a beleza que estão presentes na luta cotidiana dessa numerosa população abandonada por todas as iniciativas de desenvolvimento social e de infra estrutura que presenciamos há décadas em nossa cidade.

Os Contos trazem histórias que permeiam várias regiões da cidade de São Paulo, desde os extremos das periferias até as zonas centrais mais abastadas. O autor trabalha os contrastes com maestria, fazendo-nos exergar em personagens que, à primeira vista, julgaríamos opostos, um pouco de nós mesmos.

A riqueza desta obra está na riqueza da formação pessoal do autor. Não digo de estudos, pois acredito que a nobreza da boa literatura transcende os bancos acadêmicos. Mas sim, mesmo tendo o autor excelente formação em uma das instituições mais prestigiadas no país, reside nas experiências cotidianas, no baú de boas leituras realizadas ao longo da vida, na conversa com os mais velhos, que já viveram tanto, e com os mais jovens, que anseiam tanto em viver. Também está no tal do olhar além da casca, matéria em que nosso professor Flavio é hors concours!

Contos Suaves tem a responsabilidade de cumprir duas importantes tarefas na vida do autor: a primeira, a de servir como presente aos seus alunos, amigos e familiares que o acompanharam durante sua trajetória, que foi dura, e o livro representa uma graça que o autor retorna a essas pessoas, como um “muito obrigado”, mesmo. E a segunda, entendo como uma recompensa, mas não algo que tenha vindo pronto por seu merecimento, que é notório, mas algo que ele mesmo construiu, como se todos os dias ele pincelasse sobre uma tela branca sua história, às vezes com raiva, outras com amor, ora derrotado, ora vitorioso, e hoje estivesse admirando a obra de arte, fruto de tanto trabalho, suor, dedicação, perseverança, fé e determinação.

O lugar comum desses adjetivos é inevitável, pois estamos falando, sim, de uma pessoa comum, com o pequeno diferencial de enxergar palavras em tudo, nas coisas, lugares, pessoas… e convergi-las para histórias que nos enchem os olhos.

É isso que diferencia os escritores dos leitores: os leitores por meio das palavras apreendem histórias e personagens e, por isso, têm sede de leitura. Os escritores, ao contrário, extraem das pessoas e coisas as palavras que viram histórias, contos, romances e novelas e, por isso, são têm sede de realidade. E a beleza do ato da leitura é justamente o encontro dessas peças fundamentais para o desenvolvimento de qualquer cultura popular.

Sendo assim, caro leitor, a seguir terá início esta fecunda relação entre autor e leitor que alimenta e dá continuidade à arte da literatura ao longo dos séculos. Neste momento, você e o querido autor Flavio, de mãos dadas, dão vida e movimento à história da literatura nacional, que se fez e se faz, com pessoas que lêem e escrevem. Apesar da profundidade que envolve o tema, o resumo é simples assim.

Deixo-os agora com a leitura de Contos Suaves, uma obra delicada, apesar de realista, que consagra essa habilidade do autor de enxergar suavidade nas asperezas do cotidiano e transformá-las em belíssimos textos, com personagens que podem representar a mim, ou a você, ou alguém que você conheça. Os contos são intensos porque nos aproximam da história e dos personagens de uma maneira arrebatadora e, na mesma medida, com uma suavidade incrível.

 

 

 

 

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Um prato de trigo para um punk triste

Ele tinha os olhos assustados, como os do cão abandonado na beira da estrada, sem saber de onde veio, pra onde vai, nem no que pensar ao certo sobre a iminência da morte, passando rapidamente, carro após carro, ali na sua frente. Arredio, invisível, ele se comportava para que o mundo não o enxergasse. Se encobria por trás de trapos de roupas que até eram cheirosas: um esmero vindo de onde?

Diante das taças de cristal sobre a mesa posta, os olhos verdes brilharam e recordaram um lugar distante, pessoas distantes, alhures. Um sorriso pequeno, de labios apertados e comprimidos, surgiu. E ele olhou pra ela cabisbaixo, mas, com amor. Vindo de onde?

Ela segurou suas mãos e suas pernas, traidoras, deram o primeiro passo. Irreversível. Se ela dizia que amava seus olhos, ele não aceitava, porque eram feios. E ela desenhava, recitava, dançava, tentava explicar, não são belos, mas me atingem no alvo, flecha após flecha, rapidamente, ali na sua frente. A iminência da morte.

Seu semblante era quase sempre triste, pensativo, sofredor, afundado numa peleja que só ele conhecia e compreendia. Ou não. E no meio da turbulência de um dia ruim qualquer, no desespero das soluções que se esvaem, diante dos problemas que vão surgindo, um após outro, rapidamente, ali na sua frente, ele remexido a olhar para todos os lados e principalmente para baixo, de repente, encontra os olhos dela. Calma… e os olhos verdes voltam a brilhar e a se regenerar e a enxergar e a se iluminar para iluminá-la, um raio de luz certeiro naquela alma feminina que o acalenta.

Ele até que sorria bastante, havia uma simpatia natural que acompanhava sempre o timbre da sua voz, até nos dias ruins, e o seu sorriso pacífico. Por trás da armadura que ele teceu com tanto zelo desde pequeno, por trás de sua capa de herói punk, havia sim um homem com o desejo ordinário de dar e receber de volta o toque sagrado e apaixonado do amor, o toque cúmplice que tudo fala, que tanto cala quando é para ser silencioso, ofegante, intenso e revelador de sua força.

Ela não lembrava da dimensão da dor, tão indolor era sua vida terraplanada. E ao fechar os olhos, ou ao abri-los, ao caminhar pelas ruas em que costumava encontrá-lo, busca se deparar novamente com aquele olhar assustado que parecia encontrar abrigo ali na sua frente, ao alcance do seu abraço, sob as asas de seu calor protetor. Talvez era só ilusão. Talvez foi mesmo isso.

Aqueles olhos que tantas vezes olharam um grito de socorro, assustados, buscando os olhos e lábios dela, olhos que querem falar e ouvir, que cheiram no ar, nas ruas, nas filas dos bancos, nos bancos dos parques, nos parques sem bancos, nos cantos de tudo, de todas, por todos os lados.

Ele era bonito, percebe-se depois que se tiram os trapos e a barba grisalha, mas, triste, desconfiado do que a vida podia lhe oferecer de bom. Sem espaço certo e grande reservado para as alegrias dos sonhos, sonhos para agora, para amanhã, para 2015, para 9 meses, para 24 horas, para os próximos 15 minutos de uma manhã fria e preguiçosa qualquer.

Ela circundava seu mundo de longe, de perto, de dentro, por cima, por baixo, e olhava fundo nos seus olhos e tentava fazê-lo sentir de verdade que seria possível. Ele sentia amor, mas não sentia compreensão sobre as escolhas que ele havia feito e que não abandonaria. Ela só amava, não pensava, não pensava…

E de olhos também tristes e assustados, hoje ela também chora a lagrima descontrolada que cai do olho esquerdo dele, involuntária, por tristeza mesmo guardada. E lembra do seus raros momentos de leveza, de gargalhadas, em que ele feito criança ria… ria…

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Um grão de areia

No dia 01 de janeiro de 2013, quase uma semana atrás, fui assistir à posse dos candidatos eleitos no município de Bananal, estado de São Paulo, terra de minha família paterna. Tomaram posse a prefeita Miriam e 8 vereadores, entre eles, o Manolo, meu pai.

Bananal é um minúsculo município a 320km da capital, com cerca de 9 mil habitantes. Uma cidade graciosa para os turistas com seus casarões coloniais, fazendas de café do século XIX e cachoeiras espetaculares. Para os seus moradores… aí depende: tem o povo “da cidade” que acha tudo muito bom e tranquilo e come pizza a noite, vai à missa e toma sorvete na praça, e tem o povo marginalizado, do lado de lá do rio ou lá em cima no sertão ou na vila lá atrás que ninguém vê.

Eu frequento Bananal desde que nasci e minhas memórias de 20 anos atrás refletem exatamente o que acontece lá hoje, ou seja, nada mudou! Sem progresso construtivo, a herança da escravidão, do racismo e a visão provinciana e coronelista (ou talvez “baronista” em alusão aos barões do café) daqueles que dominam sufocam o potencial turístico da cidade e, com isso, arrasta junto a esperança de jovens e crianças moradores da periferia e da gigantesca zona rural.

Por força deste histórico, deste ranso absurdo herdado da época dos patéticos barões de café que paira sobre Bananal, onde alguns AINDA pronunciam com boca cheia os seus sobrenomes com ares de “você sabe com quem está falando”, é que o evento da posse foi tão emocionante.

Para começar: apesar dos olhos verdes da Prefeita, foram eleitos 4 vereadores negros ou descendentes dos negros que construíram Bananal a chibatadas. A bancada se fez colorida, heterogênea, mista e, enfim, REPRESENTATIVA. O povo elegeu vereadores que realmente cumprirão seu papel constitucional: o de re-pre-sen-tar o povo!

A chapa afro-descendente venceu e presidirá a Câmara

A chapa afro-descendente venceu e presidirá a Câmara

Os discursos no evento foram emocionantes! Os que levaram seus textos escritos, mal conseguiram terminar o texto. E os que improvisaram, como foi o caso da vereadora Mariinha (de rosa na foto acima), foram constantemente interrompidos pelos aplausos da platéia orgulhosa.

Meu pai, o vereador Manolo (de gravata vermelha na foto acima) redigiu um discurso belíssimo, mas nenhuma de suas palavras será lembrada pelo público presente, senão as lágrimas incontidas que ele derramou ao mencionar nos agradecimentos seu pai (que morreu ano passado) e do meu avô materno, seu sogro, que já se foi há tanto anos. Ambos deixaram tatuados no coração do meu pai a paixão pela política.

A vereadora Érika (de vestido preto acima), professora, militante a tantos anos ao lado dos tais marginalizados que mencionei acima, falou firme e empenhou sua palavra de que tudo será feito para melhorar Bananal. O penhor da palavra desta cidadã tem tanto valor, tanto valor… que emocionou a todos e conquistou aplausos calorosos e olhares esperançosos do seu eleitorado.

Força nas palavras

Força nas palavras

O vereador Furreka foi certamente o mais aclamado! Subiu ao palco sob um mar de gritos de vitória… lindo lindo lindo! Furreka foi palhaço e trabalhou como agente comunitário há 13 anos na área da saúde em Bananal. Olha que delícia ter um vereador assim te representando?

Alegria e engajamento

Alegria e engajamento

A vereadora Mariinha, tão frágil em sua aparência mas tão forte em sua personalidade, trabalhando como voluntária há anos nas administrações anteriores, agora assume este importante papel, oficialmente. Fez um discurso gracioso, simples, sincero. Agradeceu em público a minha avó Dora que foi sua primeira professora e também catequista. “Ela me ensinou tudo o que há de mais importante em minha vida”, ou seja, as letras e a fé. Não contente com declaração tão emocionante, coroou a homenagem dizendo que na ausência de sua mãe, que já morreu, minha doce vózinha estava ali, em especialíssima tarefa de substituir a presença materna desta muito nobre vereadora.

Simplicidade

Simplicidade

Meu pai, o vereador Manolo, é um homem que simplesmente quer fazer algo pela cidade, aproveitando o grande potencial turístico do local. Há anos que atua no Conselho de Turismo de Bananal e vem tentando desenvolver o turismo por lá. Entretanto, há tempos que os olhos dele não estão apenas voltados para o turismo, pois enxergou que a carência da população reside em outros planos, como a saúde completamente sucateada (deu até na Globo!) e educação (desvio de verbas da merenda escolar!).

Manolo sendo observado por sua mãe, Dona Dora, e sua neta Estela.

Manolo sendo observado por sua mãe, Dona Dora, e sua neta Estela.

Manolo terá em seus familiares os mais exigentes fiscais que um vereador poderia ter!

Apesar do recesso, a Câmara já começa o seu trabalho! Após encontrar a prefeitura totalmente destroçada pela administração anterior, o que deve ser feito já está sendo feito. Sem amarras, com liberdade e independência, essa turma está decidida a fazer diferente. E apesar de ser um grão de areia nesse deserto de corrupção, servirá para arder o olho de muita gente!

 

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