Os pequenos obedecem os grandes

Meu namorado é um sujeito engraçado! Não menos incrível, claro. É inteligente, esperto, possui excelente conhecimento e muitas vezes me surpreende, pela pouca idade, falando de assuntos de “gente de grande” com propriedade admirável. No entanto, ele não é muito bom de volante…

Engraçado o comentário partir de uma mulher para um homem, quando o cutural são elas dirigirem pior que eles. Neste caso, porém, a história se inverte e eu, sem falsa modéstia, estou anos luz à frente dele quando o assunto é pilotar.

Não que ele seja “barbeiro”, desatento ou imprudente. Até acho que ele tenha estas duas últimas qualidades em abundância no trânsito. Falta-lhe a agilidade, a confiança, a sagacidade de pegar no ar quando pode entrar sem dar seta, por exemplo, ou diminuir a marcha numa ultrapassagem, coisas assim, que talvez só venham com o tempo e, com este, também a experiência.

Eu fico ali, no lado do passageiro com cócegas para pular pro comando e sair daquele congestionamente com pelo menos alguns minutinhos de vantagem.

Para mim, pois, meu amor é melhor amor do que motorista.

O mais engraçado nisso tudo é que surgiu alguém, seu irmãozinho mais novo, que ouve com atenção e obediência os grandes ensinamentos de direção dele. Peraí! Meu namorado ensinando alguém a dirigir?! O que poderia ele ensinar se ele próprio é incapaz de parar numa vaga de shopping na primeira??

Mas ele tem, sim, o que ensinar.

Dias atrás eu estava tão triste, provavelmente quase deprimida, abandonando todos os meus planos a curto prazo de alegria para me enterrar na vala mais funda da solidão. Peguei o telefone e liguei para ele para simplesmente informar que ficaria em casa, não queria vê-lo, nem o sol, nem as estrelas…apenas queria ver os estrados da minha cama lá de baixo.

E eis que o meu garotinho, tantinho mais novo que eu, aquele ser inseguro nas ruas caóticas do Rio de Janeiro, estendeu-me a mão e com tamanha habilidade me retirou do casulo escuro, com tamanha sabedoria me mostrou que a vida é assim mesmo e que é  preciso seguir adiante, preferencialmente de cabeça erguida e com o coração cheio de perseverança.

E não foi que ele, de sirene ligada, braços pra fora, em alta velocidade, cheio de confiança, costurando entre os carros, veio me resgatar?

Obrigada, meu amor, por ter me dado essa lição. Eu, na minha pequenez, te obedeci e fui feliz em vez de triste. E é bem melhor ser algre do que triste.

 (para Omar)

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Sobre ruivaah

Apaixonada por livros, fotos, viagens, montanhas, bicicleta, riachos, familia, amigos e animais! Apaixonada pelo sol e pela chuva.
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