Especial “Dias da Mães”

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É uma grande mulher essa minha prima que acabou ganhando o nome sempre no diminutivo, por ser a caçula de uma penca de irmãos. Embora a vida tenha sido meio generosa, meio ranzinza com ela, colocando em seu caminho alguns pedregulhos, é grande essa minha prima, viu? Não sei quantos anos ela tem, mas sei que é forte, vigorosa, mãe de duas filhas lindas. Pena que uma delas, por um equívoco médico, não cuidou em tempo de uma enfermidade séria e hoje tem sequelas que a impedem de andar direitinho e também de raciocinar como uma moça de 25 anos, sua idade real, quase 20 a mais do que sua idade de coração.

A outra é perfeita, linda, esforçada, inteligente, religiosa, e tem tudo para ser vitoriosa como a mãe.

Quem vê a vida da pequena Julia de longe, no entanto, não vê tanta alegria assim. É doméstica de formação, sempre fez isso (e o faz muito bem!). Na mocidade, caiu nos encantos de um homem mais velho, que hoje vive num cômodo isolado da casa, isolado do convívio harmônico da família por causa da bebedeira.

O dinheiro é sempre curto, em contraste com a dignidade, que é imensa. Por vezes, ela narra uma rotina sofrida, quando tem que levar a filha mais velha ao médico, do outro lado da cidade, pega um ônibus às 4hs da manhã, a menina cheia de necessidades especiais, pesada, chateada com o transporte público, com o trânsito, a burocracia, mal humorada pela viagem inevitável e tão cansativa. Depois chega em casa, vê o tal marido de cara cheia, ouve desaforos, mal humor da filha (cheia de razão), dinheiro curto, tristezas esporádicas da outra filha pós-adolescente, tenta decansar para acordar cedo de novo, dessa vez para ir ao trabalho, também do outro lado da cidade, mesma chatice do caos urbano, para ir e voltar.

Grande é minha prima especialmente por manter intacto seu bom humor diante das mazelas da vida. Tudo para ela, vale um sorriso. Gosto de estar com ela e perceber, aos poucos, que o teu semblante cansado, melancólico, dá espaço às gargalhadas que certamente virão depois que ela relaxa, e se entrega a um bom papo, sobre qualquer coisa.

Os olhos dela, de outro lado, proporcionalmente inverso ao tamanho do seu sorriso, são pequenos, limitados a enxergar aquilo que a vida deixou para ela, sem deixá-la alçar vôo para outros lugares.

Ela lamenta, por vezes, que não é livre, pois está acorrentada em sua rotina que não lhe dá alternativas. É isso, e pronto.

Não reclama, não, essa minha prima querida, crente no amor de Deus, que se faz presente contando com ela para cuidar e amar sua família, toda ela com necessidades especiais, não só a Emanuele, vítima da miningite, mas todos lá precisam de cuidados especiais.

Cuidados prestados amorosamente pela super Julinha, minha grande prima, a quem dedico essa crônica especial de dia das mães.

PS: também gostaria de, aqui publicamente, prestar uma homenagem a grande super hiper Verinha, minha mãe amada, por tudo. Sou absolutamente apaixonada por ela. Te amo mãe!

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Sobre ruivaah

Apaixonada por livros, fotos, viagens, montanhas, bicicleta, riachos, familia, amigos e animais! Apaixonada pelo sol e pela chuva.
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2 respostas para Especial “Dias da Mães”

  1. ppcroitor disse:

    lindo demais, ruiva. de gente grande. beije a verinha opr mim! pépis

  2. ppcroitor disse:

    cade mais brogui?? desistiu?

    beijos saudosos, da loira PREFERIDA!!!

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