Uma crônica apaixonada

Seria óbvio demais escrever neste dia 12  uma crônica apaixonada sobre meu namorado. Por isso, deixarei o Omar de lado, sem abadonar, contudo, a paixão.

Paixão, no verbete, significa “sentimento excessivo, prolongado, prevalente, capaz de perturbar o juízo e a conduta, e neste caso pode entrar no estado passional; entusiasmo; objeto de afeição intensa…”

No entanto, verifico na prática a incorreta aplicação do termo paixão quando qualquer bobagenzinha com aroma de amorzite tem a pretensão de se igualar a esse sentimento EXCESSIVO que embriaga nossa razão e inebria os sentidos.

Pretensa por que penso que o que mais desperta as paixões não é amor, mas a ARTE!

Pelo menos é assim no meu caso e no de tantas pessoas apaixonadas que conheci por aí, algumas delas até já mencionadas neste blog pretensioso.

Dentre aquelas que ainda não citei , está o meu professor Marco. Marco, sem S. Marco Aurélio. Quando estou assistindo a aula dele, quase não ouço o que ele diz, apenas escuto sua voz e avalio timbre a timbre a entonação preciosa que ele aplica em sua fala tão conexa, tão coesa, repleta de pitadas de tons graves que abarrotam de charme e eloqüência nossa aula de prática penal.

E eu me vejo nele, quando estava à frente dos meus ex-alunos do cursinho pré-vestibular (saudades!) tentando driblar a complexidade da teoria e deixá-los de cara para o gol, em contato com o fascínio da prática.

O que nos iguala é, sem duvida, a paixão em ensinar, em dividir o conhecimento, propagar o saber. Sou apaixonada por diversas artes, especialmente a literatura. A arte de ensinar, porém, é aquela que mais me encanta, porque é rara. Tanto quanto são as obras de Dali, Beethoven e Machado de Assis. O bom ensinador, o educador cativante que toma a atenção do aluno por uma, duas, três, quatro e até cinco horas seguidas (como o faz muito bem minha mãe, diante de seus 40 alunos de 2 série) é como uma fonte de água no deserto. Tão necessária quanto escassa.

Na verdade, nunca achei que no curso de Direito pudesse me deparar com um mestre que apresentasse esse perfil artístico. A maioria deles é metódica, razoável, alguns inteligentes, outros longe disso, outro engraçado, aquele outro médio empolgado, mas nenhum apaixonado. Por isso gostei do Marco de cara. E de graça.

Atos excessivos, ao meu ver, são o nascedouro da paixão. Quando somos apaixonados (alias, não acredito que a paixão seja um estado de espírito passageiro, mas sim uma característica de uma pessoa em relação a determinado objeto) nós falamos demais, gesticulamos demais, cedemos demais, nos desgastamos demais, tudo é demais. E sempre é pouco, nunca o bastante. Razão pela qual nossas aulas seguem até às 23hs, quando todos os outros liberaram a turma as 22h30.

O entusiasmo norteia a alma apaixonada. Sem ele não há paixão. Minha mãe, por exemplo, fica me cercando pela casa (especialmente nos dias em que estou estressada… coitada!) para me mostrar as criações dos seus aluninhos, fruto do seu trabalho como educadora exemplar.

É a paixão, minha gente, essa que move meus dedos incessantemente sobre os teclados, não importa a hora, não importa o cansaço do dia, o fim da jornada das provas, o meu time perdendo o campeonato, ter que acordar cedo no outro dia, dor de dente, falta de dinheiro, não importa. Quando escrevo sou feliz, porque sou apaixonada pela literatura!

Também gosto de Direito Penal, mas acho que não sou apaixonada. Talvez existe uma pequena porção de paixão que possa ser regada e crescer forte. De qualquer maneira, nem de longe sou tão apaixonada quanto meu professor, que saliva ao falar da parte geral e sai do fundo do coração seu discurso sobre sua responsabilidade como advogado criminalista, defendendo bem tão valioso, a liberdade.

Aliás, na última aula dele, desolado, comentou que sua namorada havia brigado com ele, pois esqueceu o aniversário de namoro. Ela deveria ter lido a crônica “13hs: Acabou o Dia” (https://ruivaah.wordpress.com/2007/11/01/13h-acabou-o-dia/) para entender que essas frações de tempo só servem mesmo para atrapalhar nossa vida. E nesse dia dos namorados, espero que tenham feito as pazes!

 

PS: amor, no sábado estarei no RJ e vamos celebrar, atrasados, nosso dia! Perdoe-me por não falar de você, mas a obviedade é característica dos maus escritores. Te amo!

 

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Sobre ruivaah

Apaixonada por livros, fotos, viagens, montanhas, bicicleta, riachos, familia, amigos e animais! Apaixonada pelo sol e pela chuva.
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