Tudo bem ser diferente!

Minha mãe, que é alfabetizadora (a melhor de todas), costuma ler um livro para seus alunos logo no início do ano que se chama TUDO BEM SER DIFERENTE, do Todd Something. Neste livro, Todd diz de modo encantador que tudo bem se locomover de cadeira de rodas, tudo bem usar óculos, tudo bem ser gordinho, tudo bem ter um cabelo diferente… enfim, uma busca lúdica de tentar espantar o enraizado preconceito das crianças em relação ao que é diferente do “normal”, com super aspas!

Todd esqueceu de mencionar que tudo bem ser uma garota que prefere passar 08 dias tomando chuva em uma caminhada em meio à natureza em vez de passar 08 dias na Flórida, por exemplo. Tudo bem você querer ser fotógrafo a ser um grande e cheio de sucesso administrador de empresas. Tá legal querer ter um café e uma lojinha de artesanatos a ser uma respeitável enfermeira e farmacêutica. Beleza você querer viver num sítio longe de tudo e de todos em vez de ser um físico. Tudo bem!

Minha sobrinha Estela, uma menina acima da média para a idade dela (9 anos), queixou-se com a minha mãe sobre a sensação de se sentir diferente na escola. Diz ela que as meninas de sua sala querem ser estilistas e olham para ela com olhar de descaso quando ela diz que ser ser veterinária. Estela tem personalidade forte, como todo bom leonino que conheço. Sua opinião é defendida bravamente, como leoa que é. Cria interesse por coisas fora de seu habitat natural e se aprofunda de maneira invejável sobre os assuntos pelos quais é apaixonada. Estela há de sofrer a síndrome do patinho feio… como eu.

A síndrome do patinho feio moderna é bem assim. Quantas vezes me sinto assim quando estou em uma roda de amigos, sendo observada com olhar de espanto e indignação quando simplesmente falo do que gosto. E é cansativo ter que buscar justificativas que sempre deixam a desejar para os que ouvem, pois, na realidade, quando se gosta de alguma coisa nem sempre há uma explicação objetiva. Por isso às vezes prefiro calar.

É tão bom estar entre os cisnes! Como foi ontem na casa do Davi e da Cintia, meus novos amigos da montanha.

Estelinha, minha sobrinha, um dia vai encontrar seu bando e se sentir em casa. Quando entrar na faculdade de veterinária irá se deparar com dezenas e dezenas de jovens com o mesmo amor pelos animais. Alguns serão seus amigos, outros não.

Mas há algo também muito especial do título da obra de Todd. A idéia de que tudo bem ser diferente… inclusive dos seus amigos! Em uma entrevista de Eduardo Galeanno ele fala sobre a amizade como uma relação de amor, e o amor sobrevive apesar de se ter ou não afinidade. É justamente nas diferenças que se reconhece a verdadeira amizade. Por isso sou tão amiga da Marcela Nantes, por exemplo, que está tomada pela alegria de decorar seu apartamento com um arquiteto famoso, uma energia que eu jamais dispensaria!!

Portanto, Estelinha, cuide bem de sua amizade com a Naiara, sua amiga futura estilista, pois poderão surgir dos diálogos enviesados entre vocês histórias, conselhos e momentos riquíssimos que te acompanharão a vida toda.

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Sobre ruivaah

Apaixonada por livros, fotos, viagens, montanhas, bicicleta, riachos, familia, amigos e animais! Apaixonada pelo sol e pela chuva.
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5 respostas para Tudo bem ser diferente!

  1. Daniela disse:

    Concordo com você de que é difícil ser diferente, todos temos muito preconceito e medo que nao conseguimos entender ou classificar. So acho que temos que tomar cuidado para também nao cair na mesma armadilha: começar a ter preconceitos dos que querem apenas ser “normais”. O legal da liberdade é escolhermos o que quisermos, então se alguém consegue ser feliz optando pelo obvio e ja conquistado, também nao podemos olha-lhos de maneira preconceituosa.

  2. Re disse:

    com certeza, prima linda! Por isso que a frase “Tudo bem ser Diferente” é tão completa!

  3. Marcela Nantes disse:

    Ai, já li três vezes. Muito Lindo, Re, como tudo que você escreve.

    A vida é assim… É muito mais fácil gostar e se relacionar com pessoas que tem os mesmos interesses, vontades, estilo de vida que a gente… É como ganhar um anel do tamanho certinho do seu dedo, melhor impossível!

    Por outro lado, também é admirável amar alguém de graça, onde tudo conspira para não dar certo, mas como um milagre tudo se encaixa perfeitamente (também como um anel do tamanho certinho do seu dedo)…rsrsrs

    Por essas coisas da vida, fecho com o Sr. Todd: Tudo bem ser diferente! E digo mais: Tudo ótimo!!!

  4. Carla disse:

    Rê o seu texto é o que pensamos em muitos momentos da vida, senão diariamente… Eu mesma achei que quando entrasse na faculdade de medicina seria a pessoa mais feliz e enfim compreendida pela vontade de matar de estudar por um sonho, lá chegando encontrei pessoas fúteis, que não lutaram, e que nem se quer eram apaixonados pela medicina. Frustração total! Prendi-me a mim mesma por 6 anos, longe daqueles que amava, por um sonho que só se realizou na periferia de uma grande cidade, quando enfim pude fazer a diferença para outras pessoas vivenciando o meu sonho.
    Loucura? Para muitos com certeza… Ouvi e ainda continuo ouvindo muito isso…
    Talvez a Estelinha tenha que esperar um pouco, a infância, adolescência, faculdade, mas a maturidade depende de cada um e nos faz seres tão mais aceitáveis diante de nossos próprios olhos… Aceitar a nós e aos outros, o tal dito o equilíbrio…

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