A Saudade que é Verdade

Viver é aprender… não temos como escapar disso! Pois bem, tanto já se disse (inclusive eu, em minha curtíssima trajetória literária) sobre a saudade e ainda temos muito o que aprender sobre ela. Ela dói, ela pesa, ela sufoca, ela traz lembranças, ela dá tristeza, ela nos faz querer voar para perto de uma pessoa querida, nos faz querer voltar no tempo ou correr em frente para alcançá-lo. Mas, hoje, percebi que a saudade, além de tudo isso, torna-se mais poderosa na medida em que conhecemos mais a pessoa amada e nos habituamos com sua doce presença ao nosso lado (apesar de todos os pesares).

Ano passado meu companheiro Arturo passou 25 dias na Bolivia em julho. Este ano, também. Mas naquela outra ocasião trabalhei muito melhor a ausência do meu amor e, agora, estou simplesmente me descabelando diante do calendário contando os dias para a sua chegada numa angústia presidiária! E eu que tinha a ilusão de que, quanto mais tempo estivesse junto dele, menos sentiria saudade… Tolice pura!

Lembro-me da minha amiga May, que todo ano, mesmo após 10 anos de casada, sentia a mesma dor quando o marido partia para a Suíça trabalhar durante o mês das flores europeu. Lá vinha ela com a carinha inchada no outro dia, depois de deixá-lo no aeroporto. Creio que estou com a mesma cara hoje…

É um bonito e importante aprendizado reconhecer que os anos ao lado da pessoa amada, quando é de verdade e pra valer, tende a potencializar os sentimentos de carinho, união, companheirismo e “precisão” da pessoa ao lado. Todos esses sentimentos tão conectados com a saudade. A bobagem do século é o tal do achar que com os anos essas coisas passam e aí só sobram… sei lá o que dizem que “sobram” (tão feia essa palavra…).

Na mesma angústia que eu está minha amiga Cintia (aliás, cujo marido está com meu namorado na Bolívia há 19 dias!) A Cintia e o Davi têm uma história mais madura que a nossa, pois eles estão juntos há quase 20 anos. E ela suporta essa ausência dele todos os anos. E neste ano especial para eles, a saudade fortalecida brota como marias-sem-vergonhas no jardim. Ele querendo voltar antes, tentando mudar a passagem, ela na contagem regressiva… enfim, coisas lindas do amor! O amor de verdade, com saudade de verdade, mesmo depois de tanto anos.

Imagino as coisas que passam na cabeça desses dois… quantos filmes, cenas, frases, cheiros e sons de tanto anos! Na juventude de minha relação com Arturo já passa tanta durante a saudade, penso como deve ser o turbilhão de emoções que os atropela nesse instante.

Como poeta que sou, não posso deixar de ver beleza e música em tudo isso! Mas, na realidade, os dias, as horas e os minutos para quem tem saudade teimam em arrastar-se e a prolongar-se nessa espera sem fim. E a vida segue prática, objetiva, razoável, medíocre. Sem a pitada de sossego, paz e conforto que nos traz a presença de quem amamos.

No outro lado disso tudo, vejo me acenar, com vigor e com um sorriso no rosto, a felicidade! Como uma deusa mitológica eu a vejo me acompanhando, porque não há nada mais feliz que saber que carregamos um sentimento verdadeiro por alguém, que somos correspondidos e que, com base nesse amor, construímos (ou ainda vamos construir) uma vida repleta de alegrias, sonhos, escolhas, aprendizados, momentos difíceis, realizações, amor e…. saudades!

Dedico esse texto a minha saudosa amiga Cintia Marski, que faz aniversário hoje!

 

Anúncios

Sobre ruivaah

Apaixonada por livros, fotos, viagens, montanhas, bicicleta, riachos, familia, amigos e animais! Apaixonada pelo sol e pela chuva.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

6 respostas para A Saudade que é Verdade

  1. cintia disse:

    Ah Renata!! Que lindo…..que presente! Meu coração transbordou, ….chorei de emoção, muito obrigada pelo carinho! Fiquei ainda com mais saudade do meu marido, o coração até doeu! rsrsrs…Super beijo pra você

  2. Davi Marski disse:

    pôxa… ficou bonito… gostei muito também !!! Gd abs !!

  3. Renata disse:

    nossa que honra! meus dois homenageados “curtiram” o post! a presenteada acabou sendo eu! amo vocês e tiro o chapéu para o amor de vocês! 🙂

  4. Daniela disse:

    Poxa… me senti excluída 😉 Ainda mais hoje que meu coração, que já sentiu tantas saudades, chora por tantas pessoas, incluindo vc.

    beijinhos

    lindo seu texto

  5. Ellen disse:

    Tia Rê!!!

    Escreve um livro vai??? Quero guardar comigo esses posts tão cheios de sentimentos!
    Adoro seu blog! =)

    Bjs

  6. Renata, eu, convicta loba solitária, curti teu texto sincero.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s