Você ama o seu trabalho?

Hoje de manhã a amiga Aline Cavalcante compartilhou um vídeo que fala sobre ser feliz trabalhando com aquilo que você ama. O vídeo começa com uma pergunta capciosa: você, aí… sentado assistindo a esse vídeo… você ama o que está fazendo neste exato momento? Logo depois ele traz dados históricos do que era o perfil do trabalhador há décadas atrás, vai se aproximando dos dias atuais até chegar na tal geração Y. Muito interessante o vídeo. Interessante e, claro, com a trilha sonora do filme már lindinho do mundo “Little Miss Sunshine” tudo fica emocionante de chorar.

Não chorei, pois quando ao final do vídeo, depois de explicar tudinho ele refaz a pergunta inicial, eu respondi mentalmente: SIM!

Eu respondi “sim” à pergunta do vídeo, pois venho praticando o contentamento, uma dica das boas que aprendi num curso sobre o buddhismo em que o palestrante nos repassou este que é um dos mais maravilhosos ensinamentos de Buddha. Olhar ao lado e ser grata e feliz pelo que se tem é um exercício que devemos praticar todos os dias.

Nunca me aprofundei muito sobre o que é a geração Y, talvez porque as revistas semanais que já tenham abordado o tema não passam nem de longe na minha lista de leitura habitual. Mas pelo pouco que sei, até ter assistido ao vídeo, tinha convicção de que não pertencia a esse time. Ao meu ver, o contentamento seria algo fora do vocabulário desta turma movida pela ganância, pela vontade de querer chegar mais e mais longe, status social, currículos cheios de instituições de grife e afins.

Desde que assinalei o X na faculdade de jornalismo e depois na faculdade de Direito sempre pensei apenas em estudar algo que me trouxesse prazer e não por algo que me fizesse ser aceita pela sociedade ou para fazer meus pais terem orgulho de dizer que a filha estuda isso ou (o que enfrenta meus amigos designers, publicitários, etc.) ao menos saberem explicar para o amigo o que a filha faz.

Sem querer, acabei seguindo uma carreira da qual meus pais se orgulham, o direito. Sou advogada. Uma palavra basta para que todos compreendam e admirem a profissão. Ponto.

Mais fácil seria se eles pudessem complementar: minha filha é advogada de um poderoso escritório de advocacia. Mas essa facilidade eu não consegui dar aos meus pais…. Não consegui, pois não quis. Foi uma escolha!

Eu sou advogada formada há apenas 3 anos e meio, tenho escritório próprio e uma sócia que tem o dom de me compreender e aceitar toda minha carga de instabilidade emocional. Atuamos numa mais-do-que especifica área do direito empresarial. Por sermos as “manda-chuvas”, assumimos os clientes que queremos, cuidamos dos assuntos que escolhemos, fazemos o horário que queremos, vamos para a montanha quando não tem previsão de chuva e para a praia quando vai sair sol. Por isso, somos felizes em sentar para trabalhar com a resposabilidade de estar cuidando de um bem precioso: a nossa escolha.

Por mais que eu seja do signo de peixes, filha de Iemanjá, seja encantada pelo princípios buddhistas e apaixonada pela literatura sado-masoquista do Mario Quintana e Fernando Pessoa, eu sou feliz sendo advogada. O direito me traz a chance de associar vários dos meus prazeres: ler, escrever, cuidar dos outros, estudar e viajar!

O vídeo, de uma forma sutil, aborda no momento em que diz “vá fazer o que você ama” profissões novas ou reinventadas: o cara amassando uma massa de pão, a moça bordando uma peça de roupa, o rapaz cortando a madeira, outra dançando, outro tocando um instrumento, outro pintando e por ai vai. Mas, democraticamente, também trouxe alguns caras engravatados (mas de bicicleta!!) e a figura de um médico em uma sala de cirurgia que, mesmo com a máscara, seu sorriso iluminava os olhos.

É claro que entulhados em um escritório de advocacia ou super empresas multinacionais por aí há milhares e milhares e milhares de atrizes (conheço uma!), chefs de cousine, diplomatas, gênios da informática, maravilhosos publicitários, talentosíssimos relações públicos, bailarinas, professoras de pintura, artesãs, grafiteiros, contadoras de história e tudo mais, por isso o vídeo pega tanto na veia da liberdade, flexibilidade e, o que é mais importante, capacidade de adaptação a mudanças.

O video, ao meu ver, deve ser interpretado com moderação. Afinal, receio que do modo como foi editado, e com o super sobe-som do final e com o convite “descubra o propósito de sua vida e faça as coisas acontecerem”, quer fazer com que todas as pessoas se sintam infelizes em sua mesa de trabalho e fiquem em busca de algo que realmente tornaria a vida delas incrível e digna de película de cinema.

Eu mesma, confesso, cheguei a esboçar um “nãaaaaaa…” à pergunta final. Mas, graças as minhas sessões de meditação, parei e pensei antes de falar. Ver as imagens das pessoas dançando, subindo montanhas, pedalando e andando de skate é fascinante e, assim de cara, claro que prefiro dançar a redigir contratos. Mas, analisando com o pensamento limpo, amo o que eu faço porque faço da forma que faço. Sabendo reconhecer as prioridades e encaixando as coisas todas na prateleira da minha vida. Ajeitando tudo direitinho, tem espaço pra tudo.

Se a geração Y for capaz de fazer isso, então estou no time!

De qualquer modo, uma bela e importante mensagem que o video tatua em nossa mente e nosso coração é que somos adaptáveis e não devemos temer as mudanças. Se a resposta foi não mesmo olhando ao redor e buscando contentamento sem encontrá-lo, mude. Mas se você titubeou na resposta, perceba o que tem nas mãos, contente-se e aproveite!

A seguir, o link do tal vídeo: http://vimeo.com/44130258

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Sobre ruivaah

Apaixonada por livros, fotos, viagens, montanhas, bicicleta, riachos, familia, amigos e animais! Apaixonada pelo sol e pela chuva.
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3 respostas para Você ama o seu trabalho?

  1. Simone disse:

    Adorei! É isso aí! Sou grata pela minha família, pelo meu trabalho, pelos meus amigos e amigas, pelos quais tenho amor fraterno, e por tantas outras coisas maravilhosas que já vi e vivi nesta vida! Bjs de amor

  2. Daniela disse:

    Prima querida,
    Adorei seu texto, muito mais do que o vídeo. Era exatamente isso o que pensei qd o vi. E adorei ainda mais sua conclusão: se apesar de todos os pesares vale a pena, ok, mas senão por que nao mudar? Metamoforsear-se?

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