Um céu para Estrela

Eu só queria que tu, ceú, baixasse a guarda

Abrisse teus braços, ouvisse esse apelo

E com olhar sereno, me acalentasse e explicasse: por quê?

Não vês, oh céu vaidoso, o tamanho do teu brilho?

Então, para que cerrar esse destino, arrancando ela de mim?

És tão grandioso e podes tudo, pairas sobre os mistérios profundos

Tudo vês, cintilas, aqueces e fazes crescer o que é plantado

Entre tantos afazeres, ainda assim insiste em procederes

Impiedoso, tirando ela do meu lado.

Tens a noite, o dia, a chuva

De todas as belezas, tens a lua!

Porque, então, mais um adereço desejas para ti?

Seria vaidade agires com tal maldade

Semeando tristeza e lágrimas em meu porvir.

Para você, céu lustroso, que acumulas tantas delas

Seria mais uma a piscar na noite escura.

Para mim viver ser minha única Estrela

É fincar os pés em terras de amargura.

Se fores levá-la, já que não há mais argumento,

Façamos um pacto e aceito sua ida:

Prenda-a com carinho num canto em que ela possa

Para sempre refletir em minha vida.

#forçaestrela!

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As viagens e seus tesouros – Parte II


O magnífico tesouro da menina ruiva e seu companheiro barbudo

Tudo estava em um grande baú, ajeitado preciosamente cada coisa em seu lugar. O baú era pesado, não era tão fácil de carregar. Eu só poderia abri-lo quando finalmente chegasse ao meu destino e, confesso, foi um fardo arrastá-lo até lá. Como nos tesouros dos filmes, até abrir a pesada tampa eu não sabia exatamente o que estava lá dentro. O destino arrumou tudo lá dentro e me presenteou também com a certeza de que eu adoraria….

Quando eu abri me senti em um conto de fadas mesmo… com direito a luzes faiscantes e fiz aquela cara de “uaaaaaaaaaaau” com olhos tão abertos que quase engoliram a arca com tudo dentro. Pude ver as amostras do que aconteceria nos próximos dias, em pequenas porções, e fui abrindo um a um os presentes, todos, que estavam reservados para mim e meu companheiro Artur em nossa primeira viagem juntos de bicicleta.

O primeiro deles foi a oportunidade de viajar pelas profundezas da Patagônia. E isso nada tem a ver com geleiras, trekkings de longos dias, travessias, expedições… mas tem a ver com viver o cotidiano de uma família patagônica que abre sua casa para receber viajantes de bicicleta.

Estou falando de abrir a própria casa e não o quintal ou um quartinho nos fundos. Compartilhávamos das refeições, do dia-a-dia, das danças e canções ao violão após o jantar, dos vizinhos e até do “open-house” da vizinha com direito a almoço típico da região… de conhecer seus filhos, seus animas de estimação, seus problemas, seus planos, ajudar na mudança, na limpeza. Foram 5 dias na casa dos Pelados (carecas, em espanhol). O pai é careca, o filho raspou o cabelo por conta dos piolhos e a mãe em solidariedade raspou também. Que vontade de raspar o meu…. Acabei raspando somente o do Artur!

Poderia escrever um livro sobre essa experiência, sobre como foi conhecer as “profundidades” da Patagônia nesses dias de contato intenso com uma família que mora a 9km da movimentada e famosa cidade de Bariloche, na Patagônia Argentina. A mãe se chamava Felicitas e não poderia ter outro nome, assim como o pequeno Leon e todo sua bravura leonina… e doçura! Gosto tanto de você, Leãozinho… Aprendi tanto em tão pouco tempo. E esse foi apenas um dos tesouros.

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O outro foi o caminho e a indescritível sensação de vencer distâncias pedalando. Amarrar tudo o que você REALMENTE precisa e, ainda, a pré experiência de identificar aquilo que você realmente precisa. O que levar? O que carregar? Com isso já se cresce, já se amadurece. Um passo adiante do pequeno pensamento que sempre nos cerca de que precisamos de tudo isso que vivemos carregando em nossas vidas cotidianas. Que tesouro maior poderíamos ganhar do que essa constatação?

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E os encontros no caminho? Outro iguais a você que saem de suas casa carregando suas tralhas e até a família toda! Conheci o Mathias e a Andrea, alemães que cruzaram o oceano super carregados, levando violão e tudo o que eles consideram importantes em uma viagem de 6 – 8 meses. Pedalavam de devagar e quase não falavam espanhol. E pra que se preocupar com detalhes? Bastava encontrar outro que também não falava, mas tinha o principal para estabelecer a comunicação: FORÇA DE VONTADE!

Aprendi muito isso com os europeus que se aventuram em nosso continente e também vendo o Artur conversando com um francês em inglês quando nenhum dos dois sabiam muito bem o idioma… Que preço isso teria? Abre-se um mapa e ao final todos falam a mesma língua!

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Os caminhos nem sempre são poéticos e podem ser duros, cansativos e doloridos. O frio ou o calor, as condições das estradas, as subidas e as descidas. Sempre gostei disso, de passar pelas provações das viagens, de às vezes discutir ou dizer impropérios para a pessoa que você ama ao seu lado que está fazendo tudo por você e, em alguns minutos, você se esquece e fuzila o companheiro de viagem em um surto de raiva. Mas, no balanço geral, perceber que isso é o que fortalece os relacionamentos, nos percebemos iguais, lado a lado, juntos, unidos e grudados e celebramos isso com uma cerveja gelada, mesmo com o frio patagônico, ao chegar ao destino sãos e salvos.

Cansados, mas presenteados por esse que é um dos principais tesouros de qualquer viagem: resgate e fortalecimento da cumplicidade.

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E de repente você para em uma loja de bicicletas, ao chegar ao seu destino, encontra um ser humano (alemão!) que te presenteia com peças para reposição para utilizar na viagem em uma emergência, não cobra pelo serviço… tudo porque você está viajando de bicicleta! E, para retribuir, convidamos o cabra para um jantar, ele aceita sob a condição de que ELE cozinha e prepara lá no hostel um prato ma-ra-vi-lho-so típico alemão e a gente até agora busca um modo de agradecer ao Ingo por TUDO! Danke, Ingo!!! Ingo e sua colega de trabalho Marisol que alegra tudo com sua simpatia e alegria de viver! Dois lindos tesouros!

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Viajar leve, pesado, com tralhas, sem tralhas, com violão, com fogão, com ursinho… com a família? Sim, por que não? Os filhos fazem parte da família e qual motivo para deixá-los em casa? Isso nos ensinou o casal Wikke e Axel, alemães que já fizeram outras viagens com as pequenas Selma (de quase 2 anos) e Smilla (de 5 anos) e agora desbravam o continente sul-americano.

O presente foi mais do que encontrá-los, mas também indicar a casa dos Pelados para eles e, ao retornarmos a Bariloche, encontrar a família toda lá e passar dois dias fincados no meio de uma família alemã e outra argentina, experimentando a beleza desse encontro, dessa mistura de costumes, línguas, tons de voz. Mas algo era comum: os risos, os olhares de amizade, de eterna gratidão por toda aquela experiência.

Quando os alemães partiram e novamente ficamos somente nós, entre a “família”, era como dizer adeus a amigos tão próximos e fomos mesmo tomados por um sentimento tão esquisito de não saber quando nos veremos de novo…. e de tristeza de verdade. O tesouro vem da alegria e também do aperto no coração quando a alegria vai embora… aprendemos e crescemos com os dois.

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Quando tudo se acalmou na casa do Pelados, enfim a gata Silvestre, que estava prenha, pode ter tranquilidade para parir. Meus amigos sabem da relação hostil que tenho com os gatos. Isso porque sou alérgica e eles teimam em me rodear o tempo todo. Não foi diferente com a Silvestre, que entendeu que o meu saco de dormir era seu ninho e lá aguentou firme as últimas horas de gestação.

Ao perceber a movimentação de seu ventre, e por ela ser primípara (será que também posso usar esse termo para gatos? ou seria só para vacas?), tentei tranquilizá-la e acomodá-la em um lugar calma para receber os bebês. Tinha chegado a hora! A Feli (a dona da casa) também se posicionou e, de repente, fomos presenteados com o primeiro bebê gato, ainda se mexendo em sua bolsa nojenta e tão linda, aflito para rasgar a fina pele e, pela primeira vez… miaaau!

Escrevendo isso agora e lembrando da carinha do filhote mais velho, o mais velho, fico emocionada. Passei as 3 horas do parte ao lado da Silvestre até o quinto e último gatinho sair. No quarta filhote até ajudei a Silvestre… ele parou na metade e não tive receio de meter a mão e puxar. Silvestre agradeceu num suspiro.

Toda aquela cena, o cuidado que a Feli tinha com o gato, ver a natureza animal se revelando, o passo-a-passo do pós parto que Silvestre seguiu sem nunca ter passado por aqui….a natureza… a natureza… divina ou lógica ou científica ou matemática, que seja, é linda e me doeu tanto saber que tão pouco se faz para preservar e respeitar essa beleza.

O momento mágico acabou quanto Silvestre, ainda suja, úmida e fedidinha com aquele cheiro de parto agarrou um dos filhotes pelo cangote e foi direto para meu saco de dormir…

Vida longa a Silvestre e seus cinco filhotes! Olha aqui a carinha do mais velho e me diga se não é um tesouro??

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Quando foi chegando o dia da partida, eu voltaria para o Brasil e o Artur continuaria a viagem, como continuou (está lá ainda!). Precisava de lanches para a longa viagem até o Brasil, com a esperar no aeroporto e também para encarar o mundo não-vegetariano lá fora. O Pelado foi para sua padaria caseiro e produziu UM PÃO, o pão que eu levaria.

E a Feli? Ao saber que eu levaria para o Brasil uma de suas obras de arte, um instrumento africano de percussão chamado UDU, feito em carâmica, tratou de fazer uma bolsa personalizada para a viagem, para que a peça não quebrasse. Passou um dia todo preparando em feltro a bola, com um esmero, com um carinho, com uma alegria… tudo isso veio embrulhado dentro do UDO. Qual o valor?

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Artur sempre me presenteia com seus mimos, carinhos, cuidados o tempo todo, em todas as nossas viagens. Eu sou uma chatinha (só de vez em quanto) e ele suporta e tolera tudo com tanto amor. O carinho com que ele planeja tudo, anota os dias, os roteiros, pesquisa e mostra tudo pra mim antes, me explica, indica, facilita.. ai como os dias são difíceis sem ele… Cuidadoso ele afasta os males e fortifica a confiança que tenho nele. E com isso ele me presenteia e me enche de tesouros todos os dias…

E, claro, também troca o meu pneu!

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Voltei dessa experiência olhando para o mundo de um modo tão diferente. Realmente me transformei. Aprendi que as coisas são possíveis e que o conceito de “louco” da letra da música Balada do Louco, de Rita Lee  e Arnaldo Baptista, é mais próximo do certo: mais louco é quem me diz e não é feliz!

O grande baú foi aberto e seus tesouros pularam para a minha vida. Sorte que a porta estava aberta e todos puderam entrar e ocupar seus lugares em minhas memórias, na minha história e cada um, com sua contribuição, me ajuda todos os dias a encarar a realidade com mais alegria, amor e fé!

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As viagens e seus tesouros – Parte I

Nem eu me aguento mais quando paro para falar de minhas viagens. Só falo delas, de todas elas. Viajo bastante, para lugares diversos e mesmos lugares. Viajar é algo que me faz imensamente feliz! Gosto de gente que viaja e traz de suas viagens relatos, emoções, alegrias, frustrações, fotos, lembrancinhas. São os tesouros que trazemos e preenchem nossa história.

Acabo de ler uma frase de Eduardo Galeano que diz: Dizem que somos feitos de átomos, mas um passarinho me disse que somos feitos de histórias.

Quem acredita bata palmas!!

Em 2003, em minhas primeiras férias remuneradas fruto do meu primeiro emprego em que eu não era estagiária nem temporária, comprei um pacote CVC, peguei minha mãe pelas mãos e fomos até às Serras Gaúchas. Amei o Rio Grande do Sul, odiei a CVC, mas descobri o que me fazia feliz nessa vida: vi-a-jar!

Em 2004, mais ousada, peguei um ônibus na Barra Funda e fui parar em Cuiabá. Conheci a Chapada dos Guimarães, conheci o meu amor Artur, peguei outro ônibus fui para Brasília, peguei outro, fui para Bahia e, agora sim, descobri o que me fazia feliz mais ainda: viajar sozinha!

Em 2005 com um grupo de desconhecidos me enfiei num comboio de 4×4 e atravessei 7 estados brasileiros, fiquei 21 dias fora de casa e redescobri minha felicidade: viajar por longos períodos!

Em 2006 namorei um rapaz que tinha uma linda fazenda no sul da Bahia e fui para lá muitas e muitas vezes. Descobri outra coisa deliciosa: viajar e ficar em um só lugar, voltar para esse lugar e descobrir as pessoas, os costumes, entrar na sintonia se apropriar da viagem como se fosse um canto da sua vida que estivesse sempre ali. 

Em 2009, quando comecei a namorar o Artur, conheci a Patagônia Argentina e descobri que as montanhas nevadas formavam as mais lindas paisagens do mundo e comecei a sonhar em caminhar sobre elas, perto delas, ao redor dos picos mais lindos, agudos, achatados, desde que nevados, era minha felicidade. Fui mais 3 vezes para a Patagônia e mais e mais quero ficar perto desse lugar florido, cheiroso, frio e NEVADO!

Conhecer a Europa, transitar entre ambientes que contam histórias de pessoas, revoluções, da arte, conhecer o interior da França, respirar seu cotidiano, se perder e se achar, as línguas, as comidas, os cheiros, os sabores… voltei, sim, com meu baú carregado de novos tesouros.

Conhecer os Andes, a Bolívia, enfim ver de perto as pessoas de trajes coloridos, indígenas, históricas, sofridas, bruta realidade cercada pelas montanhas mais lindas que já vi… nevadas, altas, imponentes e lindas!

Depois que fui para o fim do mundo, Ushuaia, geograficamente, e também para o fim do mundo, metaforicamente, que seriam os confins da gran savana venezuelana no Monte Roraima, tive que dar uma parada e cuidar da saúde. Fui sabotada pela minha saúde e pelos meus joelhos e, triste triste, abortei os planos de conhecer as montanhas mais altas do mundo em 2013. A viagem para a montanha era, até dias atrás, a viagem que mais me fazia feliz. Era..

Ao carregar minha bicicleta e dar as primeiras pedaladas na Ruta 40, região de Bariloche, em novembro de 2012, sentindo o vento patagônico que te trava, te arrasta para o lado, mas nunca te empurra pra frente, senti um pouco de receio como a criança que tira as rodinhas da bicicleta pela primeira vez. Ainda instável, sentindo os carros e caminhões passarem tão perto… hesitei. 

Poucos minutos depois, já equilibrada e no embalo do pedalar pude olhar para o lado e ver a cadeia de montanhas nevadas, um lago azul turquesa, flores amarelas, céu azul… o vento no rosto, o movimento gerado pela sua própria força, os grandes deslocamentos, a baixa velocidade e o encanto, a poesia de cruzar cidades, províncias de bicicleta… caramba, nova descoberta: o que me faz feliz é viajar de bicicleta!

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Saudade

Saudade de alguém
É coisa dolorida
já tanto ouvi dizer
que nada mais nessa vida
possa doer tanto
e tão apertado e sentido
como a saudade
Ela é gigante
Um labirinto
Faz a gente se sentir pequeno
E perdido
Senti saudades esses dias
Da prima viajando
Do sobrinho que está morando
A tantas léguas de mim
Senti falta do meu amor
lindo, que pedalando quer chegar ao fim
Doeu me ver novamente adolescente
Rindo com as amigas por qualquer razão
E me queimou tanto a alma
Lembrar daqueles que aqui não mais estão
Meu vô, minha vó
Me enxágua os olhos
Pensar nesses dois
E é quando estou só
Que penso e tenho saudades
De pessoas queridas que adoro
Fecho os olhos num lamento quieto
E choro, choro… choro…

 

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Dueto: Patativa do Assaré & Ruiva (poema safra 2004)

Patativa diz:

“e veve o martelo horrendo, toda noite e o dia intero, no meu coraçao batendo. batendo como o ferrero, maiando no ferro quente. e assim todo deferente, do resto da humanidade, como um pobre vagabundo, vou arrastando no mundo, o meu fardo da sodade.” 

Ruiva responde:

tanto dói a dor do näo saber
da incerteza da noite
se estrelada
tanto é sentida a mágoa
do esperar
da incerteza do amanhä
se ensolarado
tanto me faço caminhar
na total incerteza
se curva
se adiante
se atalho
tanto me angustia a dúvida
estar incerta de ir
se há volta
se vem
tanto me faço caminhar
tanto…
me cansa
e tanto faz

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Baldes de saudades

Balança meus cabelos

Refresca meu cheiro
Bala roubada no beijo

Bálsamo sobre meus medos

Beleza que bane minha tristeza

É você!  Que fala a língua dos meus ouvidos

Que faz minar amor

Dos meus dias amargurados

Do pior dia

Sóvocê mesmo  Extrai alegria

Bálsamo da minha vida

Desamarra as cordas do meu peito

E faz brotar notas doces

Num tom assim  Como o da tua voz

Dizendo pra mim… tranqüilo

Bálsamo lindo

Enfeita meu dia com o teu riso

Balança toda minha vida

Com um cheiro de não me deixa…

Que não me deixa  E fica.

 

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Você ama o seu trabalho?

Hoje de manhã a amiga Aline Cavalcante compartilhou um vídeo que fala sobre ser feliz trabalhando com aquilo que você ama. O vídeo começa com uma pergunta capciosa: você, aí… sentado assistindo a esse vídeo… você ama o que está fazendo neste exato momento? Logo depois ele traz dados históricos do que era o perfil do trabalhador há décadas atrás, vai se aproximando dos dias atuais até chegar na tal geração Y. Muito interessante o vídeo. Interessante e, claro, com a trilha sonora do filme már lindinho do mundo “Little Miss Sunshine” tudo fica emocionante de chorar.

Não chorei, pois quando ao final do vídeo, depois de explicar tudinho ele refaz a pergunta inicial, eu respondi mentalmente: SIM!

Eu respondi “sim” à pergunta do vídeo, pois venho praticando o contentamento, uma dica das boas que aprendi num curso sobre o buddhismo em que o palestrante nos repassou este que é um dos mais maravilhosos ensinamentos de Buddha. Olhar ao lado e ser grata e feliz pelo que se tem é um exercício que devemos praticar todos os dias.

Nunca me aprofundei muito sobre o que é a geração Y, talvez porque as revistas semanais que já tenham abordado o tema não passam nem de longe na minha lista de leitura habitual. Mas pelo pouco que sei, até ter assistido ao vídeo, tinha convicção de que não pertencia a esse time. Ao meu ver, o contentamento seria algo fora do vocabulário desta turma movida pela ganância, pela vontade de querer chegar mais e mais longe, status social, currículos cheios de instituições de grife e afins.

Desde que assinalei o X na faculdade de jornalismo e depois na faculdade de Direito sempre pensei apenas em estudar algo que me trouxesse prazer e não por algo que me fizesse ser aceita pela sociedade ou para fazer meus pais terem orgulho de dizer que a filha estuda isso ou (o que enfrenta meus amigos designers, publicitários, etc.) ao menos saberem explicar para o amigo o que a filha faz.

Sem querer, acabei seguindo uma carreira da qual meus pais se orgulham, o direito. Sou advogada. Uma palavra basta para que todos compreendam e admirem a profissão. Ponto.

Mais fácil seria se eles pudessem complementar: minha filha é advogada de um poderoso escritório de advocacia. Mas essa facilidade eu não consegui dar aos meus pais…. Não consegui, pois não quis. Foi uma escolha!

Eu sou advogada formada há apenas 3 anos e meio, tenho escritório próprio e uma sócia que tem o dom de me compreender e aceitar toda minha carga de instabilidade emocional. Atuamos numa mais-do-que especifica área do direito empresarial. Por sermos as “manda-chuvas”, assumimos os clientes que queremos, cuidamos dos assuntos que escolhemos, fazemos o horário que queremos, vamos para a montanha quando não tem previsão de chuva e para a praia quando vai sair sol. Por isso, somos felizes em sentar para trabalhar com a resposabilidade de estar cuidando de um bem precioso: a nossa escolha.

Por mais que eu seja do signo de peixes, filha de Iemanjá, seja encantada pelo princípios buddhistas e apaixonada pela literatura sado-masoquista do Mario Quintana e Fernando Pessoa, eu sou feliz sendo advogada. O direito me traz a chance de associar vários dos meus prazeres: ler, escrever, cuidar dos outros, estudar e viajar!

O vídeo, de uma forma sutil, aborda no momento em que diz “vá fazer o que você ama” profissões novas ou reinventadas: o cara amassando uma massa de pão, a moça bordando uma peça de roupa, o rapaz cortando a madeira, outra dançando, outro tocando um instrumento, outro pintando e por ai vai. Mas, democraticamente, também trouxe alguns caras engravatados (mas de bicicleta!!) e a figura de um médico em uma sala de cirurgia que, mesmo com a máscara, seu sorriso iluminava os olhos.

É claro que entulhados em um escritório de advocacia ou super empresas multinacionais por aí há milhares e milhares e milhares de atrizes (conheço uma!), chefs de cousine, diplomatas, gênios da informática, maravilhosos publicitários, talentosíssimos relações públicos, bailarinas, professoras de pintura, artesãs, grafiteiros, contadoras de história e tudo mais, por isso o vídeo pega tanto na veia da liberdade, flexibilidade e, o que é mais importante, capacidade de adaptação a mudanças.

O video, ao meu ver, deve ser interpretado com moderação. Afinal, receio que do modo como foi editado, e com o super sobe-som do final e com o convite “descubra o propósito de sua vida e faça as coisas acontecerem”, quer fazer com que todas as pessoas se sintam infelizes em sua mesa de trabalho e fiquem em busca de algo que realmente tornaria a vida delas incrível e digna de película de cinema.

Eu mesma, confesso, cheguei a esboçar um “nãaaaaaa…” à pergunta final. Mas, graças as minhas sessões de meditação, parei e pensei antes de falar. Ver as imagens das pessoas dançando, subindo montanhas, pedalando e andando de skate é fascinante e, assim de cara, claro que prefiro dançar a redigir contratos. Mas, analisando com o pensamento limpo, amo o que eu faço porque faço da forma que faço. Sabendo reconhecer as prioridades e encaixando as coisas todas na prateleira da minha vida. Ajeitando tudo direitinho, tem espaço pra tudo.

Se a geração Y for capaz de fazer isso, então estou no time!

De qualquer modo, uma bela e importante mensagem que o video tatua em nossa mente e nosso coração é que somos adaptáveis e não devemos temer as mudanças. Se a resposta foi não mesmo olhando ao redor e buscando contentamento sem encontrá-lo, mude. Mas se você titubeou na resposta, perceba o que tem nas mãos, contente-se e aproveite!

A seguir, o link do tal vídeo: http://vimeo.com/44130258

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